MAJOR SALES BRASIL

A palavra crise é uma velha conhecida no mundo e todas as línguas
procuram dar-lhe uma definição. A maioria das pessoas talvez sequer
saiba defini-la, mas principalmente sabe na prática um pouco dos seus
custos. Na língua chinesa, por exemplo, a palavra crise é formada pela
junção dos dois ideogramas representativos das palavras perigo e
oportunidade. Isso indica que as crises não são necessariamente boas nem
ruins, são apenas perigo e oportunidade, porque trazem no seu bojo o
desafio inerente a uma situação de mudança. É a nossa atitude diante da
crise que determinará o resultado que obteremos de bom ou de ruim, a
vitória ou a derrota na nossa vida.
Podemos facilmente intuir que
crise pode ser uma manifestação violenta e repentina de ruptura do
equilíbrio, um estado de dúvidas e incertezas, de tensão e conflito.
Desse modo, crise é uma fase difícil e grave na evolução das coisas, dos
fatos e das ideias, cuja presença tem uma enorme capacidade de
incomodar.
Em um plano mais amplo, muito já se falou em crise do
petróleo, crise do Oriente Médio, crise cambial, crise de
governabilidade, entre outras; agora, na ordem do dia, fala-se em crise
de moralidade e de ética, crise energética com possibilidade de apagão
etc. Em termos pessoais, há as crises nossas de cada dia, quer se trate
das constantes adaptações da nossa personalidade ou dos turbilhões que
enfrentamos na busca de um lugar ao sol.
As crises fazem parte
da vida, todos temos de passar por elas. No entanto, ninguém pode negar
que, na vida, os momentos mais significativos são precedidos exatamente
por crises. Mesmo que seja difícil perceber a sua utilidade enquanto
esta se processa, a crise, uma vez superada, se mostra como uma passagem
inevitável e obrigatória do nosso sucesso.
Mas como devemos nos
comportar em relação à crise? Há diversos comportamentos humanos numa
situação de crise, dos quais destacamos cinco.
Há pessoas que veem a
crise como uma catástrofe, como decomposição e o fim da ordem e da
continuidade. Para esses a crise é algo anormal que devemos evitar a
todo custo. São os Catastróficos.
Há aqueles que se dão conta da
crise, mas, em vez de explorar as forças positivas contidas nela, fogem
para o passado, numa tentativa de imitar e reconstituir os costumes, as
categorias de pensar e a vida do passado. São os Arcaizantes.
Há
os que resolvem a situação de crise fugindo para o futuro. Eles se
situam dentro do mesmo horizonte que os arcaizantes, apenas num outro
extremo. São os Futuristas.
Há também os que resolvem a crise
escapando dela num processo de interiorização. Eles se dão conta do
horizonte enuviado, mas se fazem de cegos. Evitam o confronto, preferem
não saber, não ouvir, não ler e não se questionar. Querem permanecer no
seu pequeno mundo. São os Escapistas.
O mais benéfico
comportamento diante da crise é o dos Responsáveis. São aqueles que veem
na crise uma chance de uma nova vida. Buscam tematizar as forças
positivas contidas na crise e formulam uma resposta integradora das
variadas dimensões da vida. Não rejeitam o passado por ser passado, mas
aprendem dele como um repositório das grandes experiências humanas. Não
se eximem de fazer novas experiências. Todo valor, donde quer que venha,
é apreciado como valor e deverá ajudar na formulação de um modelo de
vida que possa ser vivido e tenha a chance de levar corajosamente a
história adiante e dar sentido à vida. (BOFF, Leonardo.)
Onde você se situaria nessas conceituações?
Em relação aos problemas políticos nacionais, esses comportamentos podem ser vistos principalmente nos exemplos seguintes.
Os
catastróficos acham que está tudo apodrecido, que ninguém presta, que
todos os políticos são ladrões e corruptos. Os arcaizantes preferem
pensar que é melhor sentir “saudades do Sarney” do que tentar mudar a
presente situação. Os futuristas continuam a teimar que o Brasil é o
país de um futuro que nunca chega. Os escapistas preferem não votar, não
participar, não escolher, para não se comprometerem. Os responsáveis
são os que estão tentando passar o Brasil a limpo, estão denunciando os
corruptos e punindo os criminosos, lutando de alguma forma para termos
um país melhor.
Saiba que a Palavra de Deus apresenta a esperança
cristã como um quadro futuro de superação de todas as crises. Jesus
mesmo profetizou que as crises eram algo inerente à vida: “No mundo
tereis aflições”; porém acrescentou: “mas tende bom ânimo; eu venci o
mundo” (Jo 16.33). Paulo afirma o “certificado de garantia” do crente:
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).
Não
permita, pois, que crise alguma lhe barre a caminhada, continue
guardando a fé e lutando corajosamente o bom combate da vida. Enquanto
nossa esperança não se concretiza, temos de continuar sendo “sal da
terra” e “luz do mundo”, buscando sempre ser instrumentos de bênção para
os que precisam.
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém